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Os “novos” pais - O papel do pai ocidental no século XXI

Por Zilda Knoploch

Antropóloga, pós-graduada em Marketing

CEO da Enfoque Pesquisa

Os “novos” pais O papel do pai ocidental no século XXI (cena do filme "What to Expect When You're Expecting" - 2012)

A Enfoque e seus parceiros realizaram pesquisas no Brasil e na Europa sobre o papel do homem como pai nos dias de hoje e tivemos alguns aprendizados.

Ainda que as mães e pais das novas gerações desejem cuidar de seus filhos de forma cooperativa, a realidade impõe sacrifícios a este desejo. O que vai de fato delinear o perfil do “novo pai” e a divisão de cuidados parentais é o tempo disponível – dele – para se dedicar aos filhos.

Estas limitações de tempo nos permitiram identificar três diferentes perfis de pais, que implicam diferentes “rituais” na forma de exercitar seus outros papéis na casa. Eles são um “pai express”, um “pai mão na massa” ou um “pai CEO”.

 O “pai express” é aquele que trabalha muitas, muitas horas por dia. A mãe acaba sendo a principal cuidadora das crianças. Assim, quando ele está com as crianças, o tempo tem que ser muito bem aproveitado e ele tende a usar este tempo paparicando os filhos e brincando com eles.

O “pai mão na massa” trabalha tanto quanto a mãe e eles dividem os cuidados das crianças. Quando ele está com os filhos, quer fazer tudo “do seu jeito”. Ele tende a “gamificar” as tarefas cotidianas com os filhos, tais como alimentar, vestir, dar banho, transformando-as em pequenas diversões e, assim, em pequenas vitórias cotidianas.

O “pai CEO” é o principal cuidador dos filhos, já que a mãe é a principal provedora e trabalha em tempo integral, por muitas horas. O desafio pessoal deste pai é conservar a própria identidade. Ele necessita fazer algo para si mesmo, precisa ter algumas formas de escapar da rotina muito trabalhosa, como é o caso de mães de tempo integral!

Claro que numa família com crianças e com divisão de tarefas, cuidar dos filhos não é a única atividade compartilhada. A participação na compra de alimentos, o redesenho das relações entre as pessoas da casa e fora da casa e a própria redefinição do papel masculino na família nuclear apontam a persistência de valores ocidentais atribuídos ao “macho”, mas sob novas tintas. Se nos tempos imemoriais o macho era o caçador, o chefe da tribo e o guerreiro, nos rituais de hoje estas inclinações ainda persistem, escondidas e sutis, é bem verdade, nos rituais cotidianos.

Hoje o pai exercita seu papel de trazer “comida para casa” nos “ritos de provisão”. Mas nem todos os pais exercitam os mesmos rituais de provisão. Encontramos aqueles que fazem as compras de supermercado, outros que se transformam eventualmente em chefes de cozinha ou aqueles que fazem do ato de guardar e aplicar o dinheiro da casa a sua forma de garantir “a comida na mesa” nos dias futuros.

A ida ao supermercado pode funcionar como uma terapia para alguns pais... mas eles tendem a esquecer itens que as esposas pedem para comprar. E quase invariavelmente trazem produtos que não estavam na lista! Em geral, estes itens não listados são formas de se recompensar: um queijinho, uma guloseima... Em suma, parece ser uma forma subliminar de rebelião contra a liderança feminina sobre o que vai entrar na despensa e na geladeira. Pais no supermercado estão mesmo sujeitos a muitas tentações.

Quando os pais vão para a cozinha e se transformam em “chefs”, vão invadir um território antes mais feminino. Mas o fazem da sua maneira. Em geral, preferem receitas com carnes, assados, churrascos. Eles apreciam a habilidade de transformar os ingredientes em alimentos, como numa verdadeira alquimia ou engenharia. Eles adoram usar muitos ingredientes e condimentos para obter um prato diferente, exclusivo e delicioso. Eles realmente não se policiam e tendem a usar muitos utensílios. Amam a parte divertida de cozinhar com as crianças. Mas cozinhar para as crianças vai além do lado lúdico, tem o aspecto emocional de alimentar a família... como nos velhos tempos.

Quando levam os meninos para o futebol, praticam uma forma de socialização num território ainda mais masculino nos códigos e vocabulário. Os pais gostam muito mais do fazer do que do falar. Ensinando a andar de bicicleta, a jogar um jogo, a lidar com tecnologia, podem ensinar os filhos a serem esportivos, honestos, persistentes.

Ao vermos que cada vez mais os homens assumem papéis que historicamente têm sido das mulheres, identificamos algumas tendências que parecem estar ligadas à necessidade de reafirmar o arquétipo da masculinidade. A principal delas indica que a proteção continua a ser um valor central para o pai de hoje em dia e que ela se manifesta de formas muito variadas.

 

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Insights baseados em pesquisa da Enfoque e parceiros, realizado no Brasil e na Europa, sobre o papel do homem como pai nos dias de hoje.
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